O mercado de hardware está a passar por um fenómeno bizarro em que a indústria parece estar a recuar no tempo para lidar com a realidade atual.
A forte procura por memórias de alta largura de banda para Inteligência Artificial (como as HBM3 e HBM4) e os custos de produção elevados da RAM DDR5 criaram uma tempestade perfeita: a “crise das memórias”. Como resultado, tanto os fabricantes como os consumidores estão a voltar a apostar no formato DDR4 e em plataformas mais antigas.
Aqui estão os pontos principais para entenderes esta reviravolta no mercado:
1. O impacto da Inteligência Artificial nos preços
As grandes fábricas de semicondutores (como a Samsung, SK Hynix e Micron) estão a desviar grande parte da sua capacidade de produção para chips de memória ultra-rápidos destinados a servidores de IA e data centers. Isto causou uma escassez global de memória DRAM convencional para computadores de consumo, fazendo com que os preços da RAM DDR5 disparassem para valores proibitivos.
2. O encarecimento e o regresso do DDR4
Como os utilizadores começaram a evitar a transição para plataformas DDR5 devido aos custos, a procura por hardware da geração anterior aumentou drasticamente.
Subida de preços: Módulos DDR4 que antes eram baratos viram os seus preços inflacionar substancialmente (em alguns mercados, kits básicos passaram de 50 para valores muito mais altos).
Novas motherboards antigas: Marcas como a ASUS e outros fabricantes voltaram a investir na produção e desenho de motherboards com suporte para DDR4, de forma a dar uma alternativa viável a quem quer montar ou atualizar um PC sem gastar uma fortuna.
3. Soluções híbridas e o regresso de clássicos
Para tentar mitigar a crise e manter as vendas ativas, a indústria tem adotado estratégias criativas:
Placas híbridas: Algumas marcas chegaram a projetar motherboards que tentam juntar slots para os dois formatos de memória na mesma placa principal.
Hardware “vintage” em alta: O mercado assiste ao reavivar de plataformas antigas (como motherboards modificadas com chipsets anteriores e bundles com processadores Intel de gerações passadas). Há até quem recorra a adaptadores para usar memórias de portáteis (SODIMM) em torres de desktop por serem mais baratas.
O que esperar para o futuro?
Esta dinâmica demonstra que, para muitos utilizadores e empresas, o custo-benefício e a quantidade de RAM disponível tornaram-se mais cruciais do que a velocidade máxima de última geração.
Os analistas preveem que o mercado de PCs continue a sofrer quebras e que a instabilidade nos preços das memórias se possa arrastar até meados de 2028, altura em que novas fábricas focadas no mercado de consumo deverão equilibrar a oferta. Até lá, o bom e velho DDR4 continua bem vivo e a ser a salvação de muitos orçamentos.
